Mostrando postagens com marcador José Henrique Pires. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Henrique Pires. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de junho de 2013

O futebol nos bares #3

Dia 22 de maio, às 22h
Jogo de Cruzeiro x Resende [CB]
Churrascaria e Pizzaria da Praça, na Praça Raul Soares [CENTRO]

Eduarda Rodrigues estava presente.

A noite de quarta-feira, dia 22 de maio, era muito esperada pela torcida cruzeirense. O reforço do time, Dedé, jogaria pela primeira vez com a camisa celeste. O movimento nos bares do centro era intenso, mesmo com o jogo acontecendo em Belo Horizonte. Talvez por causa do horário muita gente preferiu não se deslocar até o Mineirão, na Região da Pampulha, e ficar na área central. Esse é caso dos estudantes da UFMG que acompanhei dessa vez: todos homens, heterossexuais, um público bem comum de jogos de futebol.

Entre eles estava meu namorado, minha companhia constante nesse tipo de evento. A chegada ao bar foi tranquila, estávamos todos cansados e esperando tomar uma cerveja para animar a noite. Foi a segunda vez que assisti a um jogo neste bar para nosso estudo, mas talvez a vigésima que venho aqui desde que me mudei para BH, buscando quase sempre partidas que não são televisionadas na TV aberta. Posso dizer que tenho costume e um grande gosto pelo esporte e principalmente pelo Cruzeiro.

O jogo em si foi tranquilo, Cruzeiro passou sem dificuldade pelo rival Resende com um placar de 4x0. Só notei torcedores cruzeirenses e esses estavam tentando esquecer a derrota do Campeonato no fim de semana. Na verdade, a final era o principal assunto em todas as mesas. Até os garçons paravam para conversar comigo e com meus acompanhantes sempre que havia um tempinho no atendimento, todos queriam relembrar os lances do domingo e às vezes nem davam muita atenção à tela.

O comportamento das pessoas na minha mesa foi aquele que eu bem conhecia. Reclamações, bebidas e mais reclamações dirigidas para a TV. De modo geral, todos os que demonstravam atenção para a TV pareciam ter que reclamar em alto e bom som sobre algum lance do jogo para destacar que estavam dentro daquele grupo: público de futebol em bares.

Em um bar com um público homossexual mais acentuado, as maneiras de se portar não parecem mudar muito dos outros bares. Existem os mesmo grupos, a galera do radinho (que quer saber dos lances antes e escutar a narração), as namoradas acompanhantes (eu me encaixo um pouco aí), os fanáticos que se sentam sozinhos em uma mesa, os que olham pelo canto do olho e os amigos reunidos. Sem dúvida nenhuma, a última é uma das melhores maneiras de se aproveitar bem um jogo em um bar, pelo menos em minha opinião. E uma das razões pela qual muitas pessoas escolhem ir até um, justamente porque o bar proporciona uma interação social num dos assuntos preferidos dos brasileiros: o futebol. E todos os rapazes que estavam comigo concordam com isso.

*os moços não quiseram ser identificados

Dia 26 de maio, às 18h30
Jogo de Cruzeiro x Goiás [CB]
Praça Coração Eucarístico [C.E.]

Leonardo Ribeiro, Lucas Afonso Sepulveda e José Henrique Pires estavam presentes.

Nunca tínhamos assistido a uma partida de futebol na pracinha da PUC e é impressionante como a dinâmica do local se altera em dia de jogo. Acostumados a ver todos os bares lotados, nesta tarde de jogo o público se concentrou em três: o Tacos, Meu Favorito e o Bar do Lombinho. O A Granel, famoso na região, sempre com música ao vivo, era uma opção para aqueles que não queriam assistir ao jogo – mas o bar que estava às moscas. Podíamos contar nos dedos da mão o número de pessoas ali.

No mesmo horário de Cruzeiro e Goiás acontecia uma partida entre Atlético Mineiro e Coritiba, mas nenhum dos bares transmitia o jogo do Galo. Era a mesma partida nos televisores, mas cada bar tinha um público diferente. O Bar do Lombinho contava com mais famílias, pessoas mais velhas; no Meu Favorito, eram mais casais e alguns jovens, que se misturavam com o público do bar anterior (estes são muito próximos); no Tacos, se via turmas de amigos, jovens, reunidos, a maioria uniformizada.

O comportamento nesses três butecos era bem semelhante ao que tinha sido observado nos outros bares que fomos. Pessoas mais velhas ficavam com o radinho próximo ao ouvido e o ligavam nos lances perigosos para adiantar o resultado. Já as crianças, que acompanhavam os pais, pareciam mais interessadas nos espetos de queijo do que em qualquer outra coisa. Algumas garotas que pareciam estar apenas acompanhando seus supostos namorados, não tiravam os olhos do celular. Os garços, no entanto, não assistiam tanto ao jogo. Era pouco o número de funcionários para atender as mesas e eles só conseguiam espiar o televisor.

Notamos uma garota sozinha, que parecia a espera de alguém, próxima ao Bar do Lombinho, por bons minutos. Assim que suas amigas chegaram, elas atravessaram a rua e foram para o Tacos. Por ter um público jovem mais concentrado, sentimos que no nesse segundo bar, existia um clima maior de paquera. Provavelmente, parte das pessoas ali não vieram para ver o Atlético jogar.

Os cruzeirenses comemoraram. O futebol nos bares pode ser menos sobre o futebol em si e mais sobre a comemoração. Ou até, a derrota. Os clientes estão ali, bebendo nos seus uniformes, ou carregando suas bandeiras, xingando o juiz, gritando para os jogadores na TV. Eles cultivam algo em comum e nós, apenas por permanecermos ali por poucas horas, também sentimos compartilhar dessa mesma comoção.

Mesmo que fosse por só essas poucas horas.

***

A SAIDEIRA


Em dias de jogo, os principais bares de Belo Horizonte vão estar cheios, principalmente quando se trata de um clássico ou final de campeonato. Quem quer se refugiar das mesas atleticanas e cruzeirenses consegue, no máximo, um buteco de bairro ou um copo-sujo sem televisão.
Ainda continuo sem entender muito do fanatismo dos torcedores. É como se as agregações, os símbolos e a competição fossem parte de uma disputa quase religiosa, entre partidos nos quais eu não consigo tomar parte. No entanto, sentei com esses torcedores nos bares, bebi com eles e assisti aos jogos de seus times.
Ainda assim, consegui perceber que o sentimento de comunidade vai muito além do esporte, do monitor na tela e as camisas e bandeiras. É sobre procurar semelhantes, sentir parte de um grupo e compartilhar os mesmos entendimentos. 
Isso, é claro, não seria diferente nas mesas de bar.
Lucas Afonso

Durante três meses acompanhei cerca de dez partidas de futebol nos mais variados bares de Belo Horizonte com meus colegas de Projetos B1. Como sou a única mulher do grupo, poderia ser a menos habituada aos espaços, mas não. Sempre tive o costume de assistir jogos do meu time nos bares da minha cidade, seja com meus pais, minha família, meu namorado ou amigos. O hábito se manteve quando me mudei para Belo Horizonte. 
Reconheço que há muitas diferenças entre os ambientes no interior de Minas Gerais e os daqui da capital. Talvez a mais importante seja o fato de meu pai nunca me deixou assistir a nenhum jogo sozinha lá em Paineiras, mas aqui em Belo Horizonte isso se mostra possível. Sinto-me mais segura do machismo que muitas vezes domina os bares durante os jogos e me atrevo beber uma cerveja tranquilamente no centro de BH. Claro que a graça toda de uma partida, pelo menos pra mim, está nas pessoas que me acompanham para torcer junto.

Quando nos propomos a analisar a recepção de jogos em Belo Horizonte, eu não sabia muito bem o que esperar. Afinal, nunca tinha olhado muito para outra coisa que não para a TV, para os petiscos e para as pessoas da minha mesa. Acabei observando algumas coisas bem interessantes.

Em primeiro lugar, achava que as pessoas que se deslocam de sua casa para ir a um ambiente barulhento e cheio nos horários das partidas, deveriam necessariamente gostar de futebol. Mas existem outros motivos que podem levar alguém até um bar. Muitas mulheres que acompanham maridos e namorados chegam a se sentar de costas para a TV. Mas não notei nenhum rapaz que não goste do esporte acompanhe uma mulher fanática. Alguns homens, por sua vez, não se importam nada o jogo, conversam, comem e ficam no celular, um pouco alheios ao que acontece.

Claro que os casos acima são extremos, existe torcedores de todos os tipos. Desde os que acompanham pelo rádio enquanto assistem à televisão até os que dão umas olhadelas quando dá, comemoram quando fazem um gol, mas encaram o momento quase que como uma balada, uma saída.

Outra coisa importante que percebo dos bares que acompanhamos é que a relação entre torcedores está menos hostil. Talvez porque não fomos tanto a clássicos e também porque os bares não costumam incentivar a reunião de torcidas rivais. É uma postura saudável e que torna os estabelecimentos lugares agradáveis.
Eduarda Rodrigues



O futebol é uma das maiores paixões brasileiras, e quando os jogos são transmitidos em bares, estes se tornam verdadeiras arenas dessa paixão. Pelo menos foi esse pensamento que tinha quando comecei a desenvolver a pesquisa de recepção de jogos de futebol em bares de Belo Horizonte.
Porém, nas várias vezes que fui aos bares, lotados ou não, pude perceber que o futebol não era a única atração dos locais. A maioria estava ali pela diversão que estes momentos ofereciam: cervejas, petiscos, amigos, conversa fiada e namoro. De todos os bares que fui, não consigo me lembrar de pessoas que estavam atentas somente ao jogo. A atenção é difusa, e por isso talvez o narrador tenha que gritar tanto, para sempre chamar o publico de volta para a partida.
Nesse sentido, é interessante observar que os bares são mais que simples locais para assistir partidas. Estas partidas criam ambientes de sociabilidade e momentos de interação lúdica. Se antes pensamos em observar a interação entre o telespectador e a televisão, pudemos perceber que esta interação passa também pelo garçom, pelas ruas, pela mesa do lado, etc.
É importante lembrar que, mesmo que sejam espaços de sociabilidade, o futebol continua sendo a motivação das pessoas estarem ali. A paixão pelo futebol é significativa, o publico grita, se revolta, comemora e discute. E por meio de todo o processo e visitas a bares que fizemos, o que ficou claro é que os torcedores estão ali, torcendo e gritando pelos seus times, mas entre um gol e outro, sempre rola um gole na cerveja e um papo com os amigos.
José Henrique Pires

O curso de Comunicação da UFMG costuma oferecer muitas matérias voltadas para a área política, mas acaba não dando tanta importância para os "outros encartes" do jornal. Como jornalista em formação eu sempre me senti na obrigação de conhecer estas outras áreas e por isso logo aceitei o tema "futebol nos bares" no Projetos B1.
Sou cruzeirense não-fanático. Isso significa que nunca parei para realmente assistir e apreciar um jogo na TV (a menos que fosse do Sada Cruzeiro, mas já se trata de outro esporte que não foi abordado no trabalho) e principalmente sair de casa para ir a um bar. Confesso que ir para as ruas na data marcada dos jogos para observar toda aquela gente era um sacrifício. Porém, ao chegar, tudo era diferente. Encontrar com os amigos, tomar uma cerveja, comer petiscos, observar as pessoas e até assistir ao jogo era divertido. Vibrei, achei graça, torci contra o adversário e quando percebi, eu tinha me tornado parte da freguesia. Inicialmente, ao estruturar o trabalho, achei que ele tomaria rumos muito mais técnicos, mas a mudança metodológica foi válida (e bem mais prazerosa).
Hoje eu já posso dizer que eu conheço mais que Dagoberto, Leandro Guerreiro, Borges, Fábio, Diego Souza e mais meia dúzia de jogadores do Cruzeiro. Agora eu sei até a escalação do Atlético. Pelo visto não ficarei tão desesperado se um dia uma pauta dessas cair na minha mão.
Leonardo Vieira 

terça-feira, 14 de maio de 2013

O futebol nos bares #2

por Eduarda Rodrigues
José Henrique Pires
Leonardo Vieira
e Lucas Afonso Sepulveda


Dia 2 de maio, às 20h
Jogo de Altético Mineiro x São Paulo [L]
no Orizontino, Rua Antônio de Albuquerque [SAVASSI]

Lucas Afonso Sepulveda estava presente.

Tem uma bandeira do Galo estendida debaixo da televisão, do lado de fora do Orizontino. Estou na mesa bem em frente ao monitor, na companhia de Bárbara e Rafael, um casal atleticano e Ildson, um cruzeirense infiltrado em território inimigo. Em menos de meia hora, começa a transmissão do jogo pelo canal Premiere FC. O bar já está lotado. Os garçons não param de trazer mais cerveja para as vinte mesas cheias de torcedores sedentos.

Pergunto para os três na minha mesa sobre o que os faz sentar numa mesa de bar, pedir uma cerveja e assistir ao jogo do time. Rafael me explica que, como alguns jogos são só transmitidos em canal a cabo, às vezes é mais fácil assistir o time na TV de um bar. Bárbara gosta de ir assistir futebol em um buteco perto de casa e vai mesmo quando está sozinha. Ildson prefere assistir em casa e só vai em bar quando é jogo decisivo do Cruzeiro ou quando tem um dinheiro sobrando para gastar com cerveja (como hoje). Todos os três concordam que se sentem bem numa mesa de bar, com um copo de cerveja na mão, assistindo ao time que torcem (seja pela vitória ou pela derrota) na tevê, na companhia de conhecidos e estranhos com gostos semelhantes ou divergentes.

As conversa fica inacabada quando a contagem regressiva começa e o Atlético entra em campo.

Se lá fora, tem até gente sentando em cadeira sem mesa para assistir ao jogo, na parte interior do Orizontino não tem nenhum freguês. A caixa do bar está assistindo a partida pelo computador, enquanto atende um ou outro indivíduo que aparece por lá de hora em hora. Os garçons que não param andar para dentro e para fora, estão quase que desorientados, tentando servir tanta gente ao mesmo tempo. A ideologia atleticana do bar não impediu um dos garçons em serviço de se assumir para mim como são paulino. Talvez ele seja o único do time adversário dividindo espaço ali. Ele mal tem tempo para assistir o jogo, mas me disse que aposta que “no couro que o Atlético vai levar” e que, no fim da noite, é ele quem vai ficar com os 10% das contas de todos aqueles atleticanos.

Falta poucos minutos para o fim do primeiro tempo e escutamos um grito de gol vindo das mesas lá atrás. A parte da frente demora alguns segundos para reagir, levantando das cadeiras e gritando pelo time. Só, então, que o gol do galo é anunciado na televisão. Pelo o que Rafael me explica, alguns torcedores sempre levam um rádio para o bar e escutam o jogo com menor tempo de atraso em relação à transmissão da tevê. Essa duplicidade do rádio e televisão em bar parece um hábito historicamente consolidado entre os amantes de futebol com cerveja.

O frenesi do primeiro gol foi quase tão grande quanto no final do jogo: 2 a 1 para o Atlético.


Dia 05 de maio , às 16h
Jogo de Altético Mineiro x Tombense  [M]
no Assacabrasa [LOURDES] e
no 80 Bar, Rua Paraíba, [SAVASSI]

Eduarda Rodrigues, José Henrique Pires e Leonardo Vieira estavam presentes

Nos reunimos na porta do bar e restaurante Assacabrasa minutos antes do jogo e pedimos uma cerveja para entrar no clima. A disputa entre Atlético e Tombense parecia ser uma tarefa simples para o alvinegro mineiro, dono da segunda melhor campanha do campeonato. No site do estabelecimento estava escrito o slogan: “Futebol é no Assa”, indicando que ali seria um bom lugar para darmos continuidade ao nosso trabalho de observação. Mas quando chegamos havia no máximo dez pessoas almoçando, que logo iam deixando suas mesas. Não parecia que ninguém ali estava interessado em assistir ao confronto.

Decidimos que era melhor não perder tempo ali e procurar um outro lugar que nos desse condições de analisar o que nos propomos para este relatório: as motivações por trás do jogo, como as pessoas se comportam e porque vão a bares que passam futebol. Haveria algum motivo por trás disso?

Levantamos, pagamos a conta e fomos caminhando para a Savassi porque chegaríamos antes do fim do primeiro tempo. O bar mais cheio que encontramos foi o 80 bar, que estava com cerca de 100 pessoas na calçada, a maioria uniformizada com a camisa do Galo. O clima estava muito animado, uma vez que, durante nossa caminhada, o Atlético marcou três gols.

Paramos para observar os grupos que nos cercavam: de um lado, um grupo de amigos assistia a alguns lances do jogo e esboçavam comentários, porém o foco deles era mesmo colocar a “conversa em dia”; já do outro lado, um casal assistia ao jogo. A namorada estava ali aparentemente para satisfazer o namorado que comentava com ela lances do jogo em que ela mal prestava atenção; mais a frente, outro grupo de amigos também conversavam e algumas pessoas do grupo estavam de costas para a televisão. Apenas uma mulher e outros dois rapazes da mesa pareciam realmente atentos; um trio de homens mais próximos a televisão é que estavam mais atentos. Um deles era sempre o primeiro a dar o grito de gol e soltar expressões típicas relacionadas ao Atlético (“Galão da massa”, “Galo doido”, entre outros). No geral, a distração era tanta por parte do público do bar que ao Atlético fazer o 3º gol, no final do primeiro tempo, apenas algumas pessoas em cada mesa comemoraram. Alguns segundos depois é que os outros que conversavam pararam para observar a televisão (inclusive os que estavam de costas, viraram as cadeiras).

No início do segundo tempo, os grupos focaram mais a sua atenção para a TV. Pouquíssimas pessoas ainda davam as costas para o jogo. O 4º gol do Atlético foi mais comemorado e os gritos de alegria se uniram com os gritos de uma outra unidade do bar Assacabrasa, que fica ao lado também exibindo jogos de futebol. Com o decorrer da partida, o nível de atenção de algumas pessoas voltava a cair. O 1º gol do Tombense no jogo não alterou em nada a reação dos presentes. Todos já consideravam o jogo como vencido, pois o Atlético tinha uma grande vantagem sobre o time da cidade de Tombos (tanto de gols, quanto de qualidade técnica, entre outros fatores). O 5º gol do Atlético, e último da partida, veio de pênalty. Ao saber que Guilherme seria o cobrador, pessoas da mesa em frente fizeram algumas críticas em relação ao desempenho do atleta nos últimos jogos, porém não deixaram de acreditar que ele faria o gol.
Com o árbitro apitando pela última vez, indicando o fim do jogo, um dos integrantes do “trio da frente”, tornou a gritar “galo doido”, comemorando que o time garantiu uma vaga na final do Campeonato Mineiro 2013. A comemoração logo se espalhou pelo bar. Entre abraços, alguns se despediam do grupo e os que ficavam pediam mais uma rodada de cerveja.


Dia 12 de maio, às 16h
Jogo de Altético Mineiro x Cruzeiro [M]
nas ruas da cidade

Final de campeonato. A capital mineira, que abriga as grandes torcidas do Cruzeiro e Atlético transformou-se em uma grande extensão do estádio. O jogo foi acompanhado de diversas formas pelos torcedores (e até mesmo não torcedores). Infelizmente, o grupo não conseguiu acompanhar o jogo todo em nenhum bar, mas a emoção ocupou toda a cidade.

Quem passou perto dos bares percebeu as pessoas vidradas nas telas das televisões. Os petiscos esfriavam e a cerveja esquentava. Ansiosos, grande parte dos clientes dos bares que ficam na Avenida Fleming, bairro Ouro Preto, se preocupavam com a partida: xingavam os juízes, trocavam farpas, torciam.

Nas ruas, camisas pretas ou azuis eram frequentes. Dentro do ônibus suplementar S53, de mais ou menos 16 passageiros, 4 estavam com rádios sintonizados nos jogos, e mais 4 amigos discutiam as possibilidades do Galo ganhar o jogo e já faziam profecias do próximo embate no Mineirão.

O clássico que terminou em 3 x 0 para o Atlético, foi “recebido” por grande parte das pessoas que estavam em Belo Horizonte, seja no estádio, em casa, nos bares, por rádios, gritos e fogos de artifício.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O futebol nos bares #1

por Eduarda Rodrigues
José Henrique Pires
Leonardo Vieria
Lucas Afonso Sepulveda




Dia 14 de Abril, às 16h
Jogo de Altético Mineiro x Caldense [M]
no Bar e Boi, da Avenida Fleming [PAMPULHA]

Estavam presentes José Henrique, Lucas Afonso Sepulveda e Eduarda Rodrigues.

Eram três televisões dispersas no bar cheio, porém não lotado. O BAR E BOI não aparentou ser frequentado por um público que deseja ver os jogos, embora haja um telão no local. Conforme foi dando o horário do jogo (16h), o lugar esvaziou consideravelmente. Poucos estavam vestidos com uniformes do Atlético, mas nem mesmo esses demonstravam muito interesse na transmissão da partida, assim como os clientes que chegaram e saíram durante a exibição do jogo.

Pôde-se observar que em apenas três das cerca de vinte mesas haviam clientes interessados no jogo. O restante da clientela, que somavam uns dez, não mantinham muita atenção na partida, raramente olhando para o televisor. Eles não demonstraram nenhuma reação mais explícita ao jogo, principalmente durante o gol do Atlético, quando se ouviu poucas palmas de mesas próximas ao monitor.

Havia uma placa no estabelecimento que sinalizava que ali eram transmitidos os jogos da Libertadores, além de um telão do lado de fora. O bar, portanto, não é uma referência para o Campeonato Mineiro.


Dia 16 de Abril, às 19h30
Jogo de Cruzeiro x Nacional de Nova Serrana [M]
na Churrascaria e Pizzaria da Praça, na Praça Raul Soares [CENTRO]

Estavam presentes Eduarda Rodrigues, José Henrique e Leonardo Vieira.

O jogo foi em um dia da semana totalmente atípico: terça-feira. Em um horário também bastante incomum: às 19h30, justamente no período de maior tráfego, dificultando nosso deslocamento para a região central. A churrascaria fica localizada em um ponto de concentração homossexual belo-horizontino e o bar é conhecido por seu público diversificado.

Consideramos a possibilidade de que os torcedores nos bares pudesse estar em número reduzido no dia, já que a partida acontecia no Mineirão e alguma parte dos frequentadores pode ter optado por assistir ao jogo no próprio estádio.

Quando o grupo todo finalmente se reuniu, o jogo já havia começado a cerca de vinte minutos, tempo suficiente para o Cruzeiro abrir o placar e marcar três vezes. O número de telespectadores não passava de trinta, a maioria bem mais interessado na cerveja ou nos petiscos, uma vez que o time mineiro estava ganhando com uma boa diferença.

Dois grandes televisores transmitiam a partida pelo canal pago Premiere FC. O jogo se encerrou de maneira calma e sem muita alteração dos torcedores presentes, que comemoravam de maneira bem discreta o resultado que manteve o Cruzeiro líder do Campeonato Mineiro. Os garçons, inclusive, pareciam conhecer algum dos frequentadores que estavam ali e se sentiam a vontade para comentar o resultado do jogo.


Dia 16 de Abril, às 19h30
Jogo de Cruzeiro x Nacional de Nova Serrana [M]
no Rococó Lanchonete, da Avenida Getúlio Vargas [SAVASSI]

Lucas Afonso Sepulveda estava presente.

Das quinze mesas que haviam na calçada do Rococó, no máximo seis ou sete estavam ocupadas, e nunca por mais que duas pessoas. Eu sento e peço o cardápio. A televisão é grande e está virada para os clientes, de um jeito que todos conseguem assistir ao jogo sem ninguém ficar na frente de ninguém. A transmissão é do canal Premiere FC, em alta definição, mas isso não parece ser muito relevante pras sete pessoas que decidiram ficar sentadas ali e consumirem, pelo menos, uma cerveja.

Três homens estão na minha frente, cada um em sua própria mesa, todos próximos um ao outro. Um deles se identifica como o dono do bar. Eles discutem em voz alta sobre o futuro do Campeonato Mineiro, momentaneamente interrompendo a conversa para ver se o Cruzeiro vai ou não vai fazer o gol. Um casal idoso assiste ao jogo silenciosamente a minha direita, enquanto um homem, com roupa do trabalho, assiste ao jogo a minha esquerda, também sem participar da conversa ali.

Do início ao fim do segundo tempo, o trio deve ter consumido de cinco a sete garrafas de Brahmas. Essa média de uma garrafa e meia por pessoa a cada tempo de jogo parece ser válida para as outras pessoas sentadas no bar. Fora a clientela, uns cinco indivíduos pararam pelo bar e permaneceram em pé para assistir ao jogo. Dois deles decidem sentar nas mesas mais distantes da TV, sem consumir nenhuma bebida, mas o dono do bar parece não dar importância. Já os garçons dividem sua atenção entre a partida e os pedidos.

Em comparação aos outros bares da Savassi que estão transmitindo o jogo do Cruzeiro, o Rococó está praticamente vazio. No entanto, a conversa dos três homens possibilita os demais clientes a ter uma experiência expandida da transmissão do jogo de futebol na tela. Os que estão sozinhos na mesa, os passageiros e os casais sentados ali estão recebendo não só o conteúdo transmitido no monitor, mas a análise, a opinião e o discurso daqueles três desconhecidos que acabaram como comentaristas de futebol de bar.