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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Relatório #3 – R7 e jornalismo online


Comparação: G1 X R7

       Em nossa visita ao R7 Minas, Flávia Martins, editora-chefe, nos disse que o portal R7 é o terceiro mais acessado do Brasil, ficando atrás apenas do Uol e G1. Visto que os dois surgiram de iniciativas de veículos televisivos, compararemos alguns títulos do G1 e do R7, presentes entre as notícias “Mais Lidas” em 08 de junho (sábado), às 10 da manhã:

G1 - Mais Lidas:
  1. Após agressão, ex-mulher de cantor sertanejo pede proteção à polícia
  2. Toyota revela nova geração do Corolla
  3. Indício de sangue é achado em casa onde filha matou a mãe no Rio
  4. Alemã levanta saia ao cruzar área alagada e deixa fio-dental à mostra
  5. Integrante do Pânico diz que vai pedir indenização à Sabesp por acidente


R7 - Mais Lidas:
  1. Mude e emagreça até 2 kg sem fazer esforço
  2. Vídeo mostra jovem sendo assassinado
  3. Confira quais famosos já fizeram pornô
  4. Viviane Araújo esnoba casório de Belo e Gracy
  5. Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi se casam
  6. Empresária é mutilada por amante secreto
  7. Concurso DETRAN RJ 2013: Edital e Inscrição



       Das sete mais lidas do R7, duas são da editoria de Notícias, com forte apelo à violência, e quatro são de Entretenimento, sendo a maioria com foco em celebridades. Já nas mais lidas do G1, é possível notar uma concentração em matérias relacionadas à violência. 

       Também fica clara a diferença entre o tamanho dos títulos. Enquanto os do G1 são mais extensos e explicativos, os do R7 parecem ter sido pensados para causar um impacto inicial, com o intuito de atrair o leitor a desvendar aquela informação no texto da matéria. Talvez esse possa ser um dos fatores que explique a discrepância entre o conteúdo da chamada e da matéria em várias notícias do R7. Na tentativa de criar títulos impactantes e mais atraentes, talvez a preocupação com esse alinhamento fique em segundo plano.

       Outro fato interessante é que o G1 não apresenta a seção de Destaques. Há várias notícias em destaque na home, mas não há um espaço dedicado a indicar possíveis matérias de interesse dos leitores do portal, como no R7. No G1 todas as notícias dispostas na página inicial apresentam a mesma cor de fonte (vermelho), e no R7 as cores variam de acordo com as editorias as quais pertencem (preto para Notícias, verde para Esportes e rosa para Entretenimento).

Redes Sociais




       Conforme apontado pelo nosso último relatório, a editora chefe do R7 considera- o  como o portal mais social do Brasil. Tendo em vista uma comparação quantitativa entre o portal G1 e o R7, é possível comprovar, ao menos, que o portal R7 possui maior popularidade e seguidores em duas redes sociais principais – o twitter e o facebook. Nessa primeira rede, o portal de notícias da Record possui 2.650.391 seguidores, ao passo que o G1 possui 1.860.993 seguidores. No facebook, o R7 também permanece a frente do G1:  apresenta 1,5 milhões de curtir, enquanto que o portal da rede globo possui 575 mil.






         Particularmente, creio que a grande diferença entre a visibilidade de ambos os portais nas redes sociais pode ser explicada pelas formas distintas que os portais utilizam para conduzir as próprias redes sociais. No caso do G1, como exemplifica a imagem abaixo, há antes uma preocupação em se divulgar o portal, por meio da publicação de três manchetes principais, do que utilizar as redes sociais como plataformas de publicação do conteúdo produzido pelo site. Por sua vez, tendo em vista que as notícias do R7 possuem, muitas vezes, títulos longos e textos curtos, grande parte do conteúdo que poderia ser encontrado no portal já está disponível nas redes sociais. Destaca-se, por exemplo, a chamada “Dida do dia: sandálias para deixar seus pés mais lindos! Veja mais sapatos no R7 Moda!” em que o conteúdo publicado no facebook era praticamente idêntico àquele veiculado no portal.  
   



O tripé do R7

       Mais um fator exposto por Flávia foi o de que, para elaborar suas matérias, o R7 se sustenta no tripé “factual, serviços e audiências”. Ao analisar as matérias em destaque nas páginas de cada editoria, às 10h30 de 08 de junho (sábado), é constatado o seguinte quadro:

Notícias:
  1. Homem que teve carro incendiado tentava sacar dinheiro em SP
  2. Princesa da Suécia supera traição e encontra sua "alma gêmea"
  3. Veja as máquinas de duas e quatro rodas que foram destaque na semana
  4. Campanha nacional contra paralisia infantil começa neste sábado
  5. Não pense em exagerar: veja os piores carretos do mundo em ação!
1 – Factual; 2 – Audiência; 3 – Audiência; 4 - Serviços; 5 – Audiência.


Esportes:
  1. Apresentação de Neymar e caras estragadas do MMA agitaram semana
  2. Luta a luta, conheça os favoritos para o TUF Fortaleza, neste sábado
  3. Moreno está no Flamengo, mas deixou coração em Porto Alegre. Entenda
  4. Mercedes pode ser punida por teste ilegal. Relembre as maiores trapaças
  5. Surpreenda com presentes do R7 Fotos no Dia dos Namorados
1 – Factual; 2 – Audiência; 3 – Audiência; 4 – Factual, 5 - Serviços.


Entretenimento:
  1. A Fazenda 6 vem aí! Relembre os beijos mais quentes das últimas edições
  2. Portaluppi ganha concorrente de peso! Conheça a gata filha de Romário
  3. Veja os casais grudentos que não se largam nem na hora da malhação
  4. Veja o antes e o depois dos astros mexicanos da TV e do cinema
  5. Deixe de pagar provedor e acesse conteúdos exclusivos do R7 e da Record
1 – Audiência; 2 – Audiência; 3 – Audiência; 4 – Audiência; 5 – Serviços.


       Após essa análise, é possível afirmar que mesmo fora da editoria de Entretenimento, onde esse fenômeno seria mais esperado, o elemento do tripé mais valorizado pelo R7 é a “audiência”. Segundo Flávia, o conteúdo do portal é voltado para a classe C, mas qual seria essa classe C para a qual eles escrevem? Uma que só se quer o trivial e o bizarro? Que não está interessada em fatos, e quando está, quer a informação mastigada, de preferência com sangue como um dos ingredientes?

       O fato é que o R7 parece conhecer bem o seu leitor, e no lugar de trazer novos formatos e estilos, escolhe permanecer no lugar comum, sem arriscar perder seus cliques.


Análise dos títulos - R7


         Nesta última etapa do trabalho de análise das disjunções entre os títulos e as matérias do R7, destacaram-se duas notícias: “Foca ruiva é excluída de seu grupo na Rússia”, “Gustavo Lima cheira calcinhas de fãs em show em Belém”. No primeiro caso, a notícia – integrante da sessão bichos e considerada uma das mais lidas no dia 07 de junho 0aborda o encontro do fotógrafo Anatoly Strakhov com um filhote de foca ruivo na ilha de Tyuleniy Rússia. Ao ler a matéria, percebe-se que o fotógrafo encontrou com o filhote sem os pares do seu bando; não há, porém, evidências que  demonstrem que, antes de ter sido excluído, o filhote possa ter se perdido do bando.



      Por sua vez, a notícia “Gustavo Lima cheira calcinhas de fãs em show de Belém”, pertencente à sessão música e considerada um destaque no dia 09 de junho, apresenta o foco em um gesto realizado pelo cantor sertanejo durante a apresentação. No entanto, ao se analisar única frase que acompanha a sessão de fotos que representa o conteúdo dessa notícia, “Gusttavo Lima agitou o público em Belém, no Pará, na noite deste sábado”, percebe-se que a ação descrita pelo título corresponde apenas a um acontecimento dentre tantos outros que construíram a apresentação do cantor.  Isso é demonstrado, também, pelo rol de fotografias que acompanha a matéria, as quais mostram que Gustavo Lima não passou todo o espetáculo ocupado com as roupas íntimas do público.








Impressões finais sobre o R7:


Laís:

        Ao longo do desenvolvimento desse projeto, pude perceber alguns obstáculos à objetividade e à responsabilidade social passíveis de serem exercidas pelo jornalismo online. Devido à necessidade do desenvolvimento de estratégias aptas a atrair internautas cujo contato com a informação é cada vez mais influenciado pelo hipertexto e se depreende pouca atenção concentrada em um único texto, desenvolvem-se linhas editoriais em que há a necessidade de se atrair o leitor por meio de espetáculos visuais e verborrágicos, em que a ética e apuração são apenas tangenciadas. No caso específico do R7, sob o discurso duvidoso de se direcionar às classes C e E, desenvolvem-se estratégias simbólicas agressivas, preconceituosas, pouco credíveis, embasadas no entretenimento e apta serem consideradas apenas mecanismos para agregar visibilidade e venda ao portal de notícias.

           No primeiro caso, é notável uma tendência à reificação do sujeito e abordagens opressoras e reducionistas do papel feminino em determinado núcleo social. No primeiro caso, conforme abordado em meu último relatório sobre a “Mulher Cavalo”, constrói-se a exploração imagética do indivíduo que é associado ao grotesco, ao bizarro e ao exótico. Tendo em vista que a fonte utilizada nessa notícia é pouco conhecida e apta a ter a confiabilidade questionada – o site “Uglypeople.com”-, pergunto-me até que ponto a fotografia da mulher ali exposta pode ter sido manipulada e, o mais agravante, se ouve a permissão dela para a publicação da foto. Provavelmente, a resposta seria negativa. Assim, percebe-se uma linha editorial que desrespeita o representado, alem de tornar o indivíduo e as supostas deficiências nele presente apenas mero atrativos para que o internauta não abandone rapidamente a página do portal. 

            De maneira análoga, a notícia “Esquisitices – Veja as 50 imagens mais bizarras da semana”, publicada em 14 de abril, demonstra como o portal, voluntariamente, classifica indivíduos e sustenta um certo padrão de “normalidade” que seria socialmente aceito. No caso da imagem abaixo, em que se observa uma mulher maquiada de girafa e se pergunta sobre a coragem necessária para ir à balada com essa maquiagem, oprime-se aqueles cujas identidades e representações são antagônicas àquelas consideradas ideais para a convivência social. É curioso, também, que a galeria das 50 bizarrices inclui, no mesmo rol que essa figura, uma montagem feita pelo R7. Ilustrada abaixo, a montagem possui objetivo estreitamente piadista que faz uma paródia de uma brincadeira tradicional – “não leia até o final” – e, apesar da brincadeira, não se aproxima do grotesco. Há, apenas, o desejo de entreter aquele que navega no portal. Assim, a imagem distancia-se das esquisitices às quais o site pretende defende. Consequentemente, percebe-se como que, no mundo sustentado pelo R7, pouco importa a inteireza do enquadramento, o respeito àquele representado ou a veracidade do que se apresenta: basta, apenas, despertar a sensações fortes o suficiente para que não se desvie o olhar.


Pra começar a galeria com as 50 imagens mais bizarras da semana, a gente começa com essa maquiagem de girafa! Você teria coragem de ir pra balada assim? Com uma dessas, só dá pra entrar em um lugar: na arca de Noé — e, mesmo assim, só se você arrumar um "girafo" pra ir contigo!


Aposto que você nem reparou que tá escrito "mão" no lugar de "não", né?


                A presença de elementos preconceituosos e opressores são perceptíveis quando se observa o perfil feminino sustentado pelo portal de notícias. A partir da análise de algumas notícias publicadas no portal R7, percebe-se um caráter moralista no trato das questões relacionadas à aparência das mulheres e abordagens que as vulgarizam no campo dos relacionamentos. No primeiro caso, destaca-se a notícia abordada por nós no primeiro relatório acerca do corpo de algumas celebridades – “Você nem imaginava, mas elas têm o corpão sarado! Veja as famosas que escondem belas curvas” -, a notícia “Viviane Araújo posta foto sem maquiagem e com o ‘bucho cheio de churrasco’- e “Veja as famosas que já passaram dos 50 e se vestem como jovens”. Nessas notícias, valoriza-se o corpo feminino dentro de alguns padrões socialmente exaltados – corpos sarados, vestimentas conforme um padrão de moda considerado elegante – e critica-se hábitos por demais espontâneos e distantes das expectativas das celebridades manterem-se sempre bem apresentáveis – no caso da reportagem da Viviane Araújo. Além disso, durante percurso da análise dos títulos,  notícias como “Mulheres brigam no meio da rua”, “Homem conta a namorada que engravidou outra mulher”, “Quebra pau: sem dó, mulher espanca marido e filma todo”, percebe-se a tendência em se construir uma identidade feminina histérica, responsável por construir relacionamentos histéricos e submetidas a dominação masculina.





                   Essas representações díspares e as disjunções entre o conteúdo dos títulos e das notícias do R7 apontam para uma estruturação do R7 sobretudo na espetáculo e, talvez, na crença que os leitores não devem ler os textos publicados na íntegra. Pelo contrário, há a crença da presença de um público que navega a partir de diversos cliques – o que possibilitaria o contato com anúncios diversos e tornaria possível a criação de mecanismos de venda de anúncios publicitários -, usufrui da grande gama de imagens, mas não atenta para os problemas simbólicos do texto.

            Pessoalmente, considerei uma experiência enriquecedora estudar o R7, na medida em que descobri um objeto extremamente favorável ao desenvolvimento de pesquisas sobre o universo das celebridades e estive contato com um tipo de jornalismo contrário àquele que almejo exercer profissionalmente. Nesse sentido, o portal R7 exemplifica como o emprego abusivo e pouco racional de imagens pode funcionar como elemento atrativo de leitores; não estimula, porém, a credibilidade e a responsabilidade social do jornalismo. Esses pilares, apesar de serem frágeis, ainda constituem expectativas que almejo poder encontrar no trabalho jornalístico.


Amanda:

       Com o enfoque inicial nos títulos, nosso Projeto foi além em seu objeto e creio que conseguimos fazer uma espécie de panorama geral sobre o portal R7. Escrever os títulos sempre é uma das partes mais custosas para mim, e analisar essa construção foi a ideia inicial, a escolha do R7 foi feita tanto em base na disponibilidade de material online e na possibilidade de visita à redação do portal em BH.

       Sobre os títulos em si, me parece que em grande parte das matérias o profissional que redigiu o texto não foi o mesmo que produziu a chamada, pela quantidade de discrepâncias encontradas e relatadas em nossas análises. O que parece é que grande parte das escolhas do portal são limitadas à obtenção de visualizações, o que pode, de certa forma, limitar o potencial criativo e produtivo. Se ter uma frase alterada pelo seu editor por conta das limitações ideológicas do veículo já não é lá muito bom, ter um título trocado por conta de captação de page views (prática que não me parece muito distante da realidade do R7) também não deve ser a melhor coisa do mundo.

       O portal apresenta inúmeras galerias de fotos. Segundo Flávia, elas fazem muito sucesso. É necessário que o leitor dê um clique para selecionar a póxima foto, e se cada clique desses for considerado como uma visualização na contagem final, o R7 sai beneficiado, pois o leitor continua na mesma galeria de fotos, enquanto cada clique é contado como se ele estivesse navegando por notícias diferentes. Se a diferença entre as visualizações dos portais no ranking dos mais acessados do Brasil é mínima, se essa tática for realmente a utilizada, fica mais fácil entender a colocação do R7. 

       Quando foi criado, em setembro de 2009, a grande pergunta em torno do R7 era se ele seria uma cópia do G1, portal lançado três anos antes, em setembro de 2006. Provenientes de duas emissoras de tevê, essa pergunta era óbvia (afinal, até os nomes eram parecidos). Bastava esperar para ver qual seria a resposta. Hoje, após nossa análise nesse Projeto, a minha resposta seria de que não, não é uma cópia. A impressão que tenho é a de que a ideia da Record foi a seguinte: “A Globo tem um portal eletrônico. Precisamos criar um também”.

       A data de criação do R7 foi simbólica: marcava os 56 anos da estação de TV e os 2 anos do canal de notícias Record News. O diretor de conteúdo do R7, Antônio Guerreiro, afirmava que o portal não viria para ser uma cópia do concorrente global, mas sim como uma forma da Record investir em "uma mídia que se consolida a cada dia". Mais do que compreensível a lógica de adaptação aos novos dispositivos tecnológicos, mas, dando uma opinião completamente parcial, a meu ver o R7 está aí mais para “cumprir tabela” do que para ser um suporte virtual da produção jornalística da Record.

       É claro que não há somente pontos negativos. É inegável que o potencial de disseminação, armazenamento e instantaneidade das informações vem trazendo possibilidades que seriam inimagináveis somente com a transmissão televisiva da Record. Mas ainda assim é estranha a escolha de não disponibilizar espaços para comentários, o que possibilitaria a interatividade, outro ponto forte nas novas mídias tecnológicas.

       No fim das contas, mais do que discutir sobre a construção de títulos, refleti sobre diversas facetas do jornalismo online. Embora pareça perigoso para uns e atraente para outros, esse novo formato vem conquistando cada vez mais espaço, e não há como prever ao certo os rumos que irá tomar. Fico na turma dos que acham que esse é um caminho sem volta: a produção jornalística ficará ao mesmo tempo mais dependente e mais submissa às novas tecnologias. Mas ainda assim, creio que nada vai substituir o trabalho de sujar os sapatos, como diz Gay Talese. Ir para a rua e ver o que acontece. Sair por aí com um bloquinho, escrevendo não só sobre o que as pessoas querem ouvir, mas também sobre a realidade, a vida como ela é. Seja sobre uma celebridade ou um catador de lixo, sobre manobras políticas ou descobertas científicas, a lista dos jovens mais ricos ou dos cotistas com melhor desempenho nas universidades, sobre a nova sonda espacial da Nasa ou como uma criança ficou feliz por ter visto a lua à céu aberto depois de ter passado toda a infância do hospital. Seja como for, só espero que esse novo modo de fazer jornalismo (e os próximos modos que ainda estão por vir) não acabem com esse ideal, de contar boas histórias, contanto que sejam verdadeiras, contando que importem.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Relatório #2 – R7 além dos títulos



1 - Impressões sobre a visita
 
Amanda: 

Antes de chegar à redação do R7 MG, eu já sabia que ela seria pequena, mas acabou sendo ainda menor do que eu imaginava. São seis pessoas trabalhando: uma editora-chefe- Flávia Martins y Miguel, com quem conversamos -, quatro redatores e um estagiário; e pelo que nos foi falado, nunca ficam mais do que quatro pessoas lá ao mesmo tempo. A última pergunta que fiz na visita foi se eles tinham um fotógrafo para cobrir as pautas do site, e Flávia me respondeu que não, “aqui é geração 2.0”, nas palavras dela. Por mais que a gente queira ser bom, não dá pra ser um excelente repórter, redator, editor a ainda por cima fotógrafo, tudo junto, ao mesmo tempo. Sempre se é melhor numa área e deficiente em outra. Acho que essa situação específica, essa necessidade de que o profissional sozinho exerça quase todas essas competências, é muito sintomática do cenário do Jornalismo hoje. Dava pra fazer um post inteiro refletindo só sobre isso, mas aí já é outra história. 

Como a visita foi realizada poucos dias depois do final da primeira análise dos títulos do portal, eu já tinha uma ideia do que esperava ouvir a respeito disso, e foi tudo confirmado. Sobre os outros aspectos do site, me surpreendi bastante com o fato de, na análise deles, o R7 é o portal mais presente nas redes sociais. Pelo menos nos meus ciclos, se eu precisasse ranquear os três que mais aparecem no meu Twitter e Facebook, a ordem seria G1, Terra e Yahoo. 

Flávia também nos passou a informação de que o portal é o 3º mais acessado do Brasil, o que é impressionante, se pensarmos que ele foi criado a menos de quatro anos (em setembro de 2009). Mas enfim, é de internet o que estamos falando, e a dinâmica da consolidação do portal é muito diferente daquela necessária para um jornal impresso, por exemplo.

Chegamos mais cedo e ficamos na redação até que Flávia chegasse, e nesse meio tempo, me pareceu que o convívio no local parece ser bem harmonioso. Os dois redatores presentes no momento pareciam bem simpáticos, comentavam as notícias com piadinhas e tudo mais. O que nos recebeu ficou bem surpreso quando descobriu que poderíamos escolher trabalhar com o que quiséssemos nessa disciplina e escolhemos o R7. Quase como “Com tanta coisa melhor pra vocês analisarem, sério que escolheram logo o R7?”. Mesmo com boas relações de trabalho, parece que não há um sentimento de pertencimento. 


Laís:

Tendo em vista a nossa visita ao R7, percebi o quão curiosa é a relação do espaço físico de uma redação jornalística com o conteúdo por ela publicado.  Nesse sentido, uma das frases mais significativas expressas pela chefe de redação, Flávia Martins, fornece subsídio para essa análise: “É preciso desburocratizar a linguagem”.

Referindo-se ao perfil editorial do portal de notícias da Record, Martins afirmou: “Aqui a gente não adquire, a gente compra”. Partindo da premissa que o perfil dos leitores do R7 é formado predominantemente pelo público da classe C e D – e preconizando sê-lo detentor de vocabulário reduzido -, a fala de Martins é condizente com o espaço físico reduzido e com a equipe pequena de apenas seis membros do portal. Na estreita sala da redação, não são visíveis elementos de consulta – livros e revistas impressas – e tampouco aparelhos televisivos e radiofônicos que possam ser usados como ferramentas para consulta e obtenção de informação por parte dos redatores.

Penso, porém, que o objetivo de desburocratizar a linguagem, almejado pelo R7, pode ser mais complicado que aquilo previsto pelo portal. A disjunção encontrada entre o sentido dos títulos e do sentido do texto – objetivo central do nosso projetos B1 – é um exemplo claro dessa realidade. Segundo a própria Martins, o título da matéria corresponde ao elemento mais importante do conteúdo publicado pelo portal. Tendo por objetivo atrair os leitores para a tríade que é vista como tripé do R7 – factual, serviços e audiências – o título das matérias segue uma linha sempre próxima ao sensacionalismo. Isso pode ser notado nas matérias concebidas como destaques pelo portal, as quais, segundo Martins, priorizam temas como polícia, sexo e sangue. De acordo com a editora, utilizam-se, nesse processo, materiais provenientes de outros segmentos da Record, como fragmentos do programa televisivo “Cidade Alerta”.

Não obstante, de acordo com Martins, o portal R7 apresenta total independência gestora e criativa dentro da Rede Record. Contudo, há uma grande subordinação da unidade mineira à sede, em São Paulo. Nesse contexto, conquanto a própria Flávia Martins reconheça a grande importância das redes sociais para o funcionamento do portal, é somente a central de São Paulo o núcleo responsável por gerenciar o conteúdo disponibilizado nas redes sociais.  Outras instâncias relativas à influência da central paulista no funcionamento da gestão mineira são as reuniões de pauta e os estudos relativos ao fluxo de leitores do portal. No primeiro caso, realizam-se reuniões virtuais às segundas-feiras e, nos segundo, são desenvolvidas pesquisas focadas na análise dos links mais acessados pelos leitores e quais são os horários do dia em que há maior fluxo de visitantes. Questionada acerca dessas estatísticas, Martins afirmou trataram-se de arquivos sigilosos e não passíveis de serem compartilhados.

Particularmente, em relação à equipe do R7, notei dois fatos pouco harmoniosos. Durante os trinta minutos que permanecemos esperando Flávia Martins aparecer, nenhum dos outros dois jornalistas sentiu-se confortável o suficiente para responder questões básicas sobre o portal e recomendaram-nos que esperássemos Martins. Além disso, houve uma grande surpresa por parte de um dos jornalistas da redação pela nossa escolha de adotar o portal como objeto de nossa pesquisa. Nesse sentido, questionaram-nos, com ironia, se gostávamos desse estilo de jornalismo. Consequentemente, reverto essa questão e pergunto-me se os membros da equipe apreciam a linha editorial sob a qual trabalham.



2 – Produção para as classes C e D e o sensacionalismo

“O estilo nem por sombra corresponde a um simples culto da forma, mas, muito longe disso, a uma particular concepção da arte e, mais em geral,

a uma particular concepção da vida.”



            De autoria de Léon Tolstoi e utilizada pela jornalista Maria Gabriela como abertura de sua entrevista com Amora Mautner – diretora da novela global “Avenida Brasil” -, essa sentença dialoga com a percepção das representações das classes C e D presentes em produtos midiáticos contemporâneos. Nesse contexto, há variações na forma como veículos e empresas da imprensa empregam formas de linguagem distintas – impressa, radiofônica e televisiva – a fim de construir um perfil fidedigno de determinadas classes sociais. Presente na novela “Avenida Brasil”, nos periódicos populares e no objeto de nossa pesquisa, o Portal de Notícias R7, essa forma de representação sugere análises em que se pode perceber a valorização da apuração por parte dos veículos.


            Produzida pela Rede Globo entre março e outubro de 2012, “Avenida Brasil” foi considerada uma das novelas pioneiras a representar o cotidiano das classes suburbanas do país. Segundo Mautner, “Eu tinha uma novela que trabalharia precisamente com a realidade. Porque a gente ia falar do subúrbio. Os suburbanos são a classe que mais assistem novela. É um subúrbio que consome. Um subúrbio que tem orgulho de ser suburbano”. A percepção crítica de Mautner foi consolidada, principalmente, com as estratégias de produção por ela adotadas. Durante o processo de montagem da novela, a diretora - que se reconhece pertencente à classe média -, percorreu subúrbios a fim de compreender o universo que representaria. Dentre diversas contestações, Mautner observou o percurso sonoro ruidoso do local, em que se confluem diversos sons provenientes de situações distintas. Essa valorização da pesquisa, em conjunto com a defesa da televisão como um espaço para o surgimento de direção com traços autorais, produziram uma telenovela considerada verídica e um sucesso do público brasileiro. A partir do estudo de “Avenida Brasil”, percebeu-se como se sobressai uma obra em que há uma preocupação em se representar segmentos e classes sociais para além dos preconceitos óbvios e se percebe como o produto midiático pode interferir na vida da classe representada.


            O uso de uma linguagem e um estilo destinado a uma classe específica também podem ser identificados no jornalismo popular. Segundo autores citados por Geélison Ferreira da Silva em sua tese “Violência e imprensa em Minas Gerais: uma reprodução da sociedade dominante”, o jornal popular “É um tipo de jornal geralmente barato, com poucas páginas, grande publicidade, destinado ao publico de baixa renda e não possui venda por assinatura”. (p.11) Nesse sentido, o jornal popular dedicar-se-ia às classes C e D, mas não se atrelaria, necessariamente, ao sensacionalismo. De acordo com Silva,



“O jornal popular não publicaria somente sexo e violência, tentaria então

corresponder ao interesse do público, buscando estar cada vez mais próximo dele, abrindo inclusive espaço para a participação desse público diretamente no jornal. O jornal popular, através de técnicas antigas, já presentes no melodrama e no folhetim, busca o envolvimento do público, dá maior ênfase ao local, e busca oferecer entretenimento ao leitor. Pouco trata de política ou assuntos mais abrangentes, normalmente narra fatos de forma simples e curta, trazendo parte do ocorrido na manchete que nem sempre retrata exatamente o que narra a matéria. O leitor popular normalmente se interessa por violência, futebol, fofocas do mundo dos famosos, e acontecimentos locais, rejeitando a economia, a política e fatos de interesse nacionais ou mesmo globais. O jornal popular se contrapõe ao jornal de referência ou sério, que tem compromisso com a informação, ele busca, em ultima instância, entreter o leitor.” (p. 12)



            O jornalismo popular altera a relação usual entre o jornalismo e leitor, na medida em que há maior preocupação com o entretenimento do que, necessariamente, com o papel de crítica social associado à prática jornalística. Nesse sentido, utilizam-se termos favoráveis ao estabelecimento de relações de proximidade e intimidade com os leitores. Em Belo Horizonte, o jornalismo popular pode ser associado a dois periódicos impressos: o “Aqui” e o “Super Notícias”. Não obstante, esses jornais, em muitas das matérias, constroem-se sob os pilares do sensacionalismo, tendo em vista a opção por fatos em que há recorrência de assassinatos e outras instâncias agressivas.



            De acordo com a nossa visita ao R7 e à entrevista realizada com a editora-chefe, o portal de Notícias da Record seria um representante do jornalismo popular, voltado para a produção de informação para as classes C e D. Nesse sentido, é possível encontrar algumas correspondências com a conceituação proposta por Silva, na medida em que as sessões de moda, beleza e fotos visam, predominantemente, o entretenimento do leitor. Em muitas vezes, o entretenimento baseia-se em termos agressivos e voltados para a zombaria de determinada classe de indivíduos ou gênero. Destaca-se, por exemplo, a sessão abaixo, em que há a imagem de uma mulher semelhante a um cavalo é considerada uma das principais imagens da semana.


No entanto, a maioria dos produtos vinculados à plataforma R7 assemelha-se mais ao perfil sensacionalista. De acordo com Geélison Ferreira da Silva,



“Sensacionalismo, como indica o termo, está relacionado à sensacional. Significa dizer que reproduz sensação intensa, se refere à sensação, desperta admiração, entusiasmo e sentimentos de forma geral. (...) Tem-se uma valorização da emoção, em detrimento da informação, através de exagero, deturpações, ambivalências semântico lingüística, exploração do vulgar, do extraordinário e espetacular. Destaca o supérfluo e sugestivo. O conteúdo dessa imprensa é geralmente sexo, sangue e escândalos. Serve para atender a instintos imediatos do leitor, fazendo com que o mesmo se afaste da realidade ao invés de se voltar para a mesma (ANGRIMANI, 1995).” (p.11).



            Tendo em vista a maioria dos títulos e manchetes analisadas por nós até então, torna-se evidente a aproximação do R7 com o perfil sensacionalista. Nesse sentido, as disjunções existentes entre os títulos e o conteúdo das matérias corroboram o uso da deturpação da linguagem como instrumento de um público leitor. Esse segmento não corresponde, necessariamente, à classe C e D. Tomando referência o conceito de jornalismo popular e mesmo um produto reconhecido como identitário dessa camada, é possível pensar que não é somente a busca pelo bizarro, pelo inusitado e pelo sangue os interesses dos indivíduos pertencentes às essas classes sociais. Talvez, se os redatores do R7 fizessem mais apuração próximas às essas camadas sociais e menos pelo universo cibernético, tal como realizou Mautner, alcançariam uma concepção mais próxima as características múltiplas que estão presentes em qualquer segmentação social.


3 - R7 Nacional e R7 Minas

Durante a visita, Flávia nos disse que não há reuniões de pauta exclusivas do R7 Minas. Eles participam da reunião de pauta semanal da sede do portal, em São Paulo, juntamente com todas as outras sucursais, através de videoconferência. Enquanto na redação daqui trabalham seis funcionários, na sede são mais de 140 pessoas, que segundo ela, em sua maioria saíram de grandes veículos, como Folha de São Paulo, Estadão e outros, para começar o novo portal da Record. 

A ideia que nos foi passada é a de que há uma grande integração entre a sede e as sucursais, o que, ao analisar os sites, parece não ser tão verdadeira assim. Para começar, o próprio layout da home geral do R7 e do R7 MG são bem distintos. Apesar do estilo de fonte e sombreamentos serem iguais, por exemplo, a disposição dos elementos na página não carrega a mesma identidade visual. A página do R7 MG é muito mais limpa e simples. 

Sobre as redes sociais, não há páginas ou perfis exclusivos das sucursais, fato que pode até indicar essa integração, mas talvez seria válido que cada regional tivesse seus mecanismos de divulgação próprios, atraindo leitores interessados especificamente nas notícias relacionadas a um certo local. 

Flávia ainda afirmou que o concorrente do R7 MG é o portal G1 Minas, e não o EM.com, O Tempo, e sites de outros veículos locais. Podemos perceber que a grande maioria das notícias presentes na página do R7 MG estão relacionadas à Cidades/Gerais, o que não me faz acreditar muito naquela afirmação. Se os portais dos outros jornais também trazem esse tipo de notícia, como não seriam seus concorrentes?

Um dos pontos levantados por Flávia é que por focar em Cidades, o portal regional do R7 concorre só com o G1 Minas, que também tem seu foco voltado para essa editoria, enquanto os outros portais abordam Esportes, por exemplo. Segundo ela, se um leitor quiser notícias sobre o Atlético Mineiro ou o Cruzeiro, por exemplo, não as buscaria na sucursal, mas sim na home geral do portal. Mas aí cabe outro questionamento: não seria mais prático que cada sucursal cobrisse os times de sua região, ao invés de todos os times ficarem na mão de quem muitas vezes está geograficamente distante, na sede em São Paulo?

Por fim, um dos únicos pontos que indicam uma integração funcional e coerente é quando há demandas de matérias com um mesmo que partem da sede para todas as sucursais, como acontece no caso de Eleições.


4 - Análise dos Títulos


Em relação aos títulos, no dia 09/05 (quinta-feira), às 16h30, um dos Destaques apresentava o seguinte título: “Menina queimada por cigarro da mãe quando era bebê supera dificuldades”. As informações “queimada por cigarro da mãe” podem levar o leitor a interpretar que, numa atitude cruel, a mãe deliberadamente queimou a filha – ainda bebê -, e que por terem sido feitas pela ponta de um cigarro aceso, foram queimaduras leves. As dificuldades superadas por ela seriam emocionais, causadas pelo trauma de ter sofrido nas mãos da própria mãe. No texto da matéria, percebemos que a história não é bem essa: “TerriCalvesbert perdeu seu cabelo, lábios, nariz, todos os dedos das mãos e também o pé esquerdo quando um incêndio devastador tomou conta de seu quarto, em novembro de 1998. A responsável pelo acidente era a última pessoa que se poderia imaginar: a própria mãe. (...) O incêndio que quase matou a bebê de 23 meses dias antes de ela completar dois anos foi causado por um cigarro esquecido pela mãe de Terri perto de seu berço”. O modo como as informações são colocadas no título nos levam a imaginar uma situação, ainda que triste, muito menos chocante do que a realidade. A chamada altera o nível de crueldade do fato. Sobre a superação de dificuldades, o texto apresenta o fato de que “Terri não conhece a versão completa de seu acidente. ‘Nem sei se um dia virei a saber’, diz ela, que não teve mais contato com a mãe desde a infância. ‘Eu tentei, mas não funcionou. Decidi olhar para a frente e superar’”. Essa superação vai muito além da ideia inicial de perdão a quem lhe infringiu algum mal. O valor-notícia privilegiado nesse título é o de “tragédia/drama”, e ao contrário de algumas chamadas analisadas no primeiro relatório, essa suaviza a real situação, no lugar de exagerá-la.



 

A notícia mais lida de 07/05 (terça-feira), às 20h40 trazia Mulher de sertanejo faz o maior cerco ao marido durante trabalho de gravação” como título. O uso de “sertanejo” no lugar do nome do artista é mais um exemplo de uso de descrições genéricas para nomear celebridades numa tentativa de atiçar a curiosidade do leitor acerca de quem é a personalidade em questão. Nesse caso, o cantor é Fernando, que faz dupla com Sorocaba. O título pode levar o leitor a imaginar situações de ciúmes e até desconfiança da esposa frente ao assédio de fãs durante a gravação, por exemplo. A notícia é composta unicamente por uma galeria de fotos com legendas, e nenhuma delas indica ciúmes ou situações embaraçosas em momento algum. A legenda mais extensa é essa: “Fernando estava acompanhado da mulher, Mikelly Medeiros. A loira também acabou fazendo uma participação na produção”. As fotos e legendas indicam uma esposa companheira e um casal feliz, não a mulher de pavio curto e o casal com problemas que o título prometia. O valor-notícia privilegiado é o de “proeminência”. 

 

 

 

Na manhã de 13/05 (segunda-feira), às 8h, um dos títulos presente nos Destaques era “Descubra o time do coração dos principais técnicos do País”. A maioria dos profissionais que trabalha com futebol costuma não revelar para qual time torcem para não gerar conflitos éticos. O clube do coração dos jornalistas esportivos, por exemplo, geralmente é um mistério, e mesmo quando recebem perguntas acerta desse assunto, preferem não revelar. Por isso, com uma chamada que promete a revelação do time para o qual os principais técnicos do país torcem, o leitor pode criar a expectativa de receber informações bombásticas, a partir de entrevistas com técnicos de renome. Ao clicar na matéria, o leitor é direcionado a uma galeria de fotos de treinadores de grandes times do Brasil, e as informações presentes nas legendas não vieram de nenhuma entrevista realizada pelo R7 especialmente para essa matéria, mas sim de declarações passadas. A primeira foto é traz a seguinte legenda: “Vanderlei Luxemburgo, por exemplo, é torcedor declarado do Flamengo. Hoje no Grêmio, o treinador chegou a dar declarações emocionadas quando conquistou o Campeonato Carioca de 2011 pela equipe Rubro-Negra”. O fato de Luxemburgo ser torcedor do Flamengo não é segredo para ninguém que acompanha sua carreira ou é aficcionado por futebol. Não há nenhuma informação nova, ou até mesmo um novo olhar sofre o fato. Há ainda casos nos quais a proposta do título não é cumprida de forma alguma: “Treinador do São Paulo, Ney Franco esconde bem o jogo quando o assunto é seu time do coração. Porém, o técnico, que é mineiro, teve passagens importantes sobre o Cruzeiro e o Atlético-MG. As suspeitas sobre esses dois gigantes mineiros, fica o mistério”. O valor-notícia em questão é o de “entretenimento”, e com a proposta de atrair o leitor, a expectativa produzida pelo título não condiz com o conteúdo da matéria.