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domingo, 23 de junho de 2013

Relatório #4 – Considerações finais sobre o Ah!Cidade

O projeto de pesquisa tinha como objetivo a análise do veículo Ah! Cidade (http://ahcidade.com/), confrontando-se as impressões dos alunos sobre o veículo e os reais objetivos dos criadores do portal. O desenvolvimento desse projeto não aconteceu exatamente da forma que se era esperada, tampouco apresentou-se interessante como pareceu ser nos primeiros momentos. Entretanto, pode-se dizer que o resultado final superou as expectativas e ampliaram a visão dos alunos envolvidos quanto as dificuldades do jornalismo independente em Belo Horizonte.

Um dos fatores que mais influenciou negativamente a pesquisa foi a falta de funcionamento do site, que parou de ser atualizado desde julho de 2012. Isso ajudou a desmotivar os alunos envolvidos, pois não se experienciou a rotina do portal: a relação transformou-se numa questão de historicidade, ou seja, tinha-se o passado em mãos e não o presente.
Existiu, também, uma grande dificuldade de contato com os criadores do site, que prejudicou o andamento da pesquisa. A demora em realizar as entrevistas não proporcionou o nível de aprofundamento desejado para a elaboração do Segundo Relatório Parcial.

Em contrapartida, as entrevistas, mesmo atrasadas, foram o melhor conteúdo que tivemos acesso para construir o trabalho. Entre as várias coisas positivamente absorvíveis das conversas, as mais interessantes e pertinentes foram as que se relacionam intimamente com o declínio do porta. Ouviu-se informações importantes sobre a operacionalização de um portal de notícias virtual, sobre como que o seu caráter independente pode se tornar uma dificuldade e sobre o grande problema que é lidar com o voluntarismo das pessoas, que produzem conteúdos sem receber nada por isso.

Em geral, a análise do Ah! Cidade mostrou-se muito positiva, pois o portal tem grande similaridade, em proposta e em funcionamento, com o projeto pessoal da dupla. Ainda, talvez, em status de concepção, idealiza-se uma revista virtual que tenha como tema central a ativa e rica agenda cultural de Belo Horizonte. O contato com os idealizadores do Ah! Cidade e o conhecimento da sua história foi uma experiência riquíssima, por mostrarem uma visão real de como é trabalhar com jornalismo independente na capital mineira. As informações apreendidas beneficiarão a equipe profissionalmente, acadêmica e pessoalmente.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Relatório #3 – Visão geral sobre o Ah!Cidade

A partir das conversas de dois dos editores do site Ah!Cidade, Daniel Florêncio e Henrique Milen, descobrimos o que aconteceu desde a construção até a decadência do portal. Apesar das diferentes visões dos dois entrevistados, tendo em mente que Daniel é um dos idealizadores do projeto e Henrique foi convidado após o desenvolvimento do mesmo, os discursos são inicialmente bastante coerentes.

Criação
Segundo Daniel, um dos motivos para a criação do site foi a falta de conteúdo inteligente gerado na cidade. “Falta de conteúdo que pensa a cidade, que dialoga com a população, que enxerga as nuances da cidade, dos bairros, das aspirações”, segundo ele. O entrevistado é bastante enfático no conceito de honestidade intelectual, deixando claro que este é o conteúdo almejado pelos criadores e colaboradores do Ah!Cidade.
Daniel Florêncio é autor do documentário “Gagged in Brazil”, produzido em 2008, que conta as ações de censura de Aécio Neves e sua equipe na imprensa mineira. O filme teve muita repercussão principalmente na internet. As informações passadas pelo documentário, como depoimentos de diferentes jornalistas e evidências em situações que poderiam passar em branco, são justamente o foco do Ah!Cidade. Daniel explica: “Por exemplo, um texto que eu escrevi que chama ‘O Prefeito em um ônibus’. O que está ali é nada mais que a constatação do óbvio. Eu simplesmente peguei declarações da BH Trans e contrapus ela com fatos e indícios que estão aí na frente de todo mundo”.
Ao falarmos do caráter político do site, Henrique conta sua visão. “As pautas no Ah!Cidade eram politizadas, porque os temas ligados à cidade têm que ser politizados. É daí que vem o debate, mas a gente é meio adestrado para ter hojeriza ao debate, ao confronto de argumentos. O que se vê em programas de ‘debate’ na TV e no rádio local é a cultura do consenso, sempre despolitizado, desmobilizante, sempre tendendo ao lado moral, ignorando os interesses políticos e econômicos que envolvem cada tema. E ainda por cima com viés conservador, o que definitivamente não era o nosso caso. Bom, esse era o lado bom de ser nanico: a gente não sofria pressão de anunciante, nem era amigo de político, nem tinha medo de perder leitor conservador. Isso dava liberdade de pauta, sem dúvida. O jornalista dos Associados não tem essa liberdade, o produtor da Globo não tem essa liberdade. E muita gente dentro desses veículos lia o Ah!Cidade. No fundo era um veículo para jornalistas, gente de comunicação, não era um produto de massa”.
Portanto, o Ah!Cidade procurava expor a verdade sobre o que as pessoas percebiam da cidade, fugindo dos cuidados tomados pela maioria dos veículos e dos formatos que adestram e direcionam a profundidade e o olhar sobre os fatos, mas que não era destinado à massa.

Produção
Em seu auge, o site chegou a ter 30 colaboradores. Todos produziam, discutiam e enviavam suas ideias pela internet, uma vez que estavam em diferentes locais. Os colaboradores eram, em geral, pessoas conhecidas, ou como Daniel contou, “conhecidos, conhecidos de conhecidos ou indicações de conhecidos”.
O site, por ter sido financiado pelos criadores, não gerava nenhum tipo de renda, mas as publicações continuavam, como Daniel explica: “Apesar de o site, naquele momento, ser algo que fazíamos em meio período, por assim dizer, e ninguém largou emprego para trabalhar no site, tínhamos uma certa noção de urgência com ele. Não deixávamos textos esperando muito pra serem publicados, ou ideias para serem produzidas”.
Ainda assim, como Florêncio explica, o objetivo era gerar algum lucro com o site, para que todos pudessem se dedicar totalmente a ele. “Desde o primeiro dia esse era nosso objetivo. Remunerar os editores. Remunerar os colaboradores. Contratar alguém para cuidar do site em tempo integral”, conta. Porém, esta perspectiva não é compartilhada por Henrique, que acredita que o jornalismo produzido pelo site perderia o valor ao se envolver com lucros. “Eu acho que jornalismo não devia ter foco em lucro. Ah!Cidade era experimental, free-style. Não podemos condicionar a existência de um projeto desse a retorno financeiro. É até meio bobo, é jogar o jogo dos grandes, e até eles estão levando surra da internet. Nós furamos a mídia local várias vezes, colocamos vários temas na praça com nova perspectiva, mas também publicamos bobagem. É bom se permitir isso”, explica.

Decadência
Diante das pesquisas feitas e da conversa tida com Fabrício Santos (vide 2ª postagem), percebeu-se que a decadência do portal Ah! Cidade deu-se pela distância dos criadores do projeto (Daniel já estava em Londres e Henrique havia se mudado para Paraty) – afinal, manter vivo um site de notícias que fala intimamente da vida de uma cidade estando a quilômetros de distância não é tarefa tão fácil, tampouco prática. Milen diz, inclusive, que um veículo como esse necessita do calor das ruas, da vida das pessoas que fazem o movimentar da cidade – sem contar que nem todas as pessoas estão acostumados com o uso da internet.
Entretanto, a partir das entrevistas feitas posteriormente, foram identificados outros aspectos que resultaram na decadência do postal. Primeiramente, é citado com certa frequência a complexidade da questão financeira envolvida. Desde o início, a ideia era a de que ele atraísse os olhos dos cidadãos e do comércio e conseguisse algum apoio financeiro para sobreviver. "Não há como manter a publicação de textos diários de qualidade, onde se há pesquisa, desenvolvimento, apuração, e, em alguns casos, investigação, sem remuneração", comenta Daniel. Exigir dedicação quando não há vínculo empregatício foi motivo para o início da grande desmotivação dos colaboradores. "Faltou gás também. Não era nada fácil discutir pautas, desenvolver bons artigos, diariamente, com todo mundo dividido entre outros compromissos", fala Henrique.
Com o crescimento do portal, tanto em número de colaboradores, quanto em número de visualizações, apareceram interessados em apoiar financeiramente o Ah! Cidade. De acordo com Florêncio, uma empresa de mídia se candidatou a sindicar o portal. "Mas o fantasma do 'Gagged in Brazil' apareceu", comenta. "Quando o dono da empresa de mídia soube que 'um dos editores do Ah!Cidade era o 'menino' do Gagged in Brazil', a coisa desandou".

A desmotivação dos colaboradores, a falta de recursos financeiros e a produção do polêmico documentário de Daniel abalaram definitivamente as estruturas do portal.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Relatório #2 – As origens do Ah! Cidade



 Seguindo o cronograma estabelecido para esse projeto de pesquisa, o segundo relatório trataria das primeiras conversas com a equipe idealizadora do portal. Conseguimos, de fato, entrar em contato com essas pessoas (o que resultou em algumas informações), mas não ocorreu ainda nenhum encontro efetivo.
Conversamos com Fabrício Santos, coordenador e editor de conteúdo do Ah! Cidade – e um dos quatro membros da sociedade que mantêm vivo* o portal – com quem estamos tendo dificuldade em agendar uma conversa ao vivo. Já o idealizador do Ah! Cidade, Daniel Florêncio, vive há alguns anos em Londres e ainda não nos respondeu os e-mails.

Daniel é jornalista, graduado pela UFMG, e há alguns anos vive em Londres, onde faz filmes e trabalha com audiovisual. Em 2008, produziu o documentário “Gagged in Brazil”, que denuncia as relações entre Aécio Neves, TV Globo e Estado de Minas. O vídeo, produzido para a Current TV, foi censurado no Brasil e garantiu ao diretor pesadas críticas do então governador mineiro.



Esse vídeo reportagem muito tem a ver com a proposta do Ah! Cidade, quando visto como ferramenta de conscientização política e de real liberdade de imprensa. De acordo com Fabrício, o portal nasceu com uma proposta editorial um pouco mais aventureira e desimpedida para os padrões do jornalismo em BH e MG. Busca-se maior liberdade, apartidarismo e realismo nas pautas trabalhadas no veículo.
A associação teve início quando Daniel uniu-se a um amigo, João Streit, que é dono de uma agência de mídia em BH e que seria o braço comercial e tecnológico do site. Para planejar o conteúdo e gerir a dinâmica de colaborações do portal, foram chamados mais dois jornalistas: Henrique Milen (que vive hoje em Parati – RJ) e o Fabrício, coordenadores e editores de conteúdo.
“Nós quatro nos tornamos um espécie de sociedade para tocar o projeto, que na nossa visão tinha potencial para se viabilizar comercialmente com uma proposta editorial um pouco mais ousada e criativa para os padrões do jornalismo em BH e MG”, comenta F. Santos.


* De acordo com as declarações recolhidas, o Ah! Cidade ainda não é tratado como um veículo morto. É verdade sim que não é atualizado desde 2012, mas de acordo com Fabrício, os idealizadores ainda não desistiram da idéia. Com certeza, a distância de Daniel é um dos fatores agravantes para a calmaria.

terça-feira, 23 de abril de 2013

RELATÓRIO #1 - Primeiras impressões de "Ah! Cidade"



O formato do site Ah!Cidade é bastante atual e sua navegação é intuitiva. Os posts exibidos na página inicial são os considerados destaques, e estão organizados cronologicamente por data de postagem, ou seja, o mais novo no topo. Outras postagens estão divididas entre onze categorias (tirinhas, arte, coluna de domingo, crítica, crônica, cultura, editorial, ideias, lugares, política e sociedade).



Uma coluna na parte direita da página indica outras informações, como as últimas matérias, as mais lidas, uma opção para a visualização randômica de postagens, os últimos comentários enviados, e alguns links úteis, como rss (ou feed), e páginas do site no twitter, orkut e facebook.
Na abertura de um texto, percebemos uma pequena mudança na página. Agora, existe também uma coluna na esquerda, que informa as tags da postagem, os posts relacionados, e links para compartilhamento em diversas redes sociais.
Os últimos comentários do site foram enviados no post de 8 de julho de 2012, intitulado “Como Aécio Neves lançou Patrus à prefeitura”. O texto, de caráter político, instiga a discussão, que é realizada em seus três comentários. A partir dessa análise, percebemos que as postagens na categoria Política têm o maior número de comentários. Esses comentários, assim como os textos, sempre indicam apoio a movimentos como Fora Lacerda e Praia da Estação, o que pode levar, em uma próxima análise, ao contexto em que os autores e visitantes do site vivem.




Ao nosso ver, os autores dos textos publicados no site parecem determinados a desvendar partes da cidade que são, às vezes, pouco divulgadas, e expô-las ao público. Com o conhecimento de seu público, eles sabem como falar o que precisam. Por sua vez, os visitantes parecem interessados nos assuntos pontuados pelos autores, e principalmente abertos à discussão.


A seguir, o teaser do portal: