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terça-feira, 11 de junho de 2013

Relatório #3 - Decepção, entrevistas e conclusão


Para esse terceiro Relatório temos uma proposta diferente: durante o projeto ficamos incomodados com a tremenda chatice incrustada no fazer jornalístico das duas revistas. Começamos o projeto com várias ideias bacanas, animados e realmente com a intenção de trabalharmos com revista quando tivéssemos oportunidade, mas ficamos bastante frustrados com o que encontramos: matérias/pautas mornas, sempre o mesmo batido da lata, a sala de redação deles sem nenhuma agitação ou empolgação. E começamos, ao ler realmente as revistas, a pensar: porque diabos alguém compra e lê isso? E por isso resolvemos fazer uma pequena pesquisa para tentar entender como essas revistas sobrevivem em BH e quem é o seu público, onde elas são encontradas, se há muitos assinantes, entre outros motivos. Dentre as pesquisas feitas, destacamos algumas interessantes:

Walfredo: psicólogo, consultório em um prédio comercial na rua Bernardo Guimarães esquina com Avenida Brasil, clientes adultos
-Tem Encontro mas não tem viver em seu consultório;
- Conhece a Viver e sabe que o conteúdo é muito parecido entre elas
- Tem as revistas no consultório porque as recebe de graça tanto em seu prédio comercial como em casa, os porteiros dão para ele;
- Não fez nenhum cadastro para recebê-las;
- Não as lê por falta de tempo, mas disse que alguns clientes comentam artigos que leram na Revista Encontro enquanto esperavam;
- Pela entrevista é possivel dizer que ele deixa as revistas em seu consultório porque “elas já tão lá mesmo”, já recebe de graça...

Kátia: secretária do consultório Odontológico no bairro Santa Terezinha, clientes de todas as idades.
- Tem várias revistas no consultório (na sala de espera) mas não tem Viver nem Encontro
- Quando perguntei se conhecia ela respondeu que já ouviu falar, mas nunca leu (mas pareceu que não conhece e só respondeu que já ouviu falar pra me agradar (haha)
- Não acha que faz sentido ter essas revistas no consultório, que maioria são pessoas que deixam lá e de uma médica que assina e deixa as velhas lá também
- A falta de conhecimento pode vir do fato de essa não ser uma área em que são feitas entregas gratuitas, pois o perfil da área nao tem nada a ver com o público alvo desejado pela revista.

Cássia: secretária da Vértebra - Clínica Dr. Jefferson Leal. Rua Padre Rolim, 815. Santa Efigênia.
-Não é sempre, mas de vez em quando a revista Encontro pode ser encontrada na clínica;
- Disse que só leu ela uma vez, quando a capa foi da primeira mulher que assumiu a chefia do Comando de Policiamento da Capital (CPC). A coronel Claúdia Araújo Romualdo, de 44 anos;
- Segundo Cássia, ela só leu essa matéria porque ela estava na capa da revista e por se interessar por todo tipo de notícia que envolva mulheres bem posicionadas no mercado de trabalho;
- Durante o tempo em que estive no consultório, conversei também com Angélica, ajudante de Cássia. Enquanto fazia algumas perguntas para ela, a secretária ficou calada e fazendo suas tarefas, mas quando sua ajudante foi embora, Cássia frisou que acha a revista muito fútil e que só gosta de ler notícias que a enriquecerão. Após esse momento ela mudou um pouco o foco da conversa, dizendo que estava lendo um livro sobre a história da Roma antiga. Após papearmos sobre o assunto, ela me perguntou se tinha visto que a presidência da TAM foi assumida pela primeira vez por uma mulher e se eu sabia quem era Scarlet Moon;
- Cássia disse que só lê matérias de jornais ou revistas caso a capa contenha alguma notícia relevante para ela.

Angélica: ajudante de Cássia na Vértebra
- Diz que de vez em quando lê a revista Encontro, mas quando isso acontece, é em sua casa, pois às vezes o marido leva ela para Angélica.
- Angélica disse que gosta bastante do que lê na Encontro e, principalmente, quando ela aborda assuntos infantis, já que tem um filho novo;
- Foi engraçado obter essas informações, as quais revelam que embora pensadas para um público A e B, ela também pode agradar a outras classes.

Daiane: Consultar Centro de Atendimento Médico Ltda - Jd Inco
- Clientes de todas as idades
- Não sabe se tem Encontro. Têm muitas revistas misturadas e não dá pra perceber o que os pacientes estão lendo, não consegue reparar se é popular ou não. Nunca leu Encontro, não tem tempo de ler e não conhece a revista

Fernanda: Consultório Odontológico Dra. Danielle Cristina
- Clientes de todas as idades
- Não têm Encontro no escritório, não assinam. Assinam outras revistas, não sabe definir quais. Nunca leu, não conhece a revista

Conclusão

A realização desse projeto foi interessante por podermos ter contato real com o ambiente de produção de conteúdo midiático. Apesar do interesse inicial que nos impulsionava ao elaborarmos a proposta, essa empolgação não sobreviveu sequer à primeira visita. A escolha de duas revistas de grande circulação em Belo Horizonte intencionava nos fornecer uma visão mais ampla do fazer jornalístico na nossa cidade e, possivelmente, oportunidades de inserção futura com mais conhecimento de como o circuito de revista belorizontino funcionava. Nesse aspecto, não podemos reclamar. Realmente tivemos contato com as revistas e entendemos o seu processo. Conhecemos as redações, conversamos com pessoas. Cumprimos nossa missão.
Mas o que ficou da experiência foi um sentimento de decepção. Saber que as limitações da produção jornalística para revistas em BH é grande, e que, nessas revistas, os temas se restringem a amenidades das mais amenas, pautas mornas, frias, congeladas e de pouco interesse de quem não for especificamente seu público alvo. Por um lado, podemos dizer que a Encontro e a Viver produzem revistas sob medida que se relacionam com os interesses específicos de seus públicos e, por isso, conseguem ser rentáveis mesmo não sendo queridas.
Por outro lado, é importante destacar que esse não era o cenário que imaginávamos e muito menos um cenário em que queiramos nos inserir profissionalmente.


* cada integrante do grupo fez entrevistas individualmente e, nessa postagem, cada um destacou duas.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Projeto Editorial das revistas Encontro e Viver Brasil


Nesse relatório iremos analisar os Projetos Editoriais das revistas Viver Brasil e Encontro. Projetos editoriais estruturam: o nome da publicação, o objetivo, o público-alvo, a política editorial, a linguagem, as seções e a distribuição. Para isso analisaremos as informações coletadas em entrevista comparando-as com os dados encontrados nas edições nº 143 da revista Encontro e nº 102 da revista Viver Brasil.  



ENCONTRO


* Matéria : O professor Pardal de BH (pg 56). Essa matéria em questão foi classificada na revista como referente à negócios, mas logo a primeira frase que aparece é: “Que Patópolis, que nada! Belo Horizonte tem seu próprio professor pardal, o inventor mais famoso do Walt Disney”. A linguagem utilizada tanto nesse trecho, como em toda a matéria, é muito mais descontraída e informal do que o que se esperaria em uma matéria de negócios, causando certo estranhamento por parte do leitor, principalmente porque a revista tem como alvo os públicos A e B.

** Para uma revista que se orgulha de ter um projeto editorial bem definido, podemos diagnosticar algumas contradições. A revista é extensa, com grande quantidade de seções que despejam conteúdo ao leitor sem necessariamente categorizá-lo apropriadamente. A leitura é desgastante e desorientada, uma vez que parece faltar um fio condutor que organize o fluxo de ideias na publicação.
As edições especiais se mostram mais coesas, mas sua grande quantidade nos leva a questionar o julgamento do veículo chefe, que não só carrega suas próprias páginas de conteúdo, como ainda transborda em mais assuntos nas outras revistas.
Algumas seções possuem conteúdos que se misturam, como a de negócios e de economia. Embora sejam seções diferentes, o conteúdo costuma ser muito próximo. A própria editora-chefe, Neide Magalhães, relatou que geralmente quando a revista tem uma matéria de negócios ela não tem de economia. O grupo entende que esse exemplo pode ser aplicado para outras editorias, a exemplo das de lazer e diversão, o que corrobora em uma revista desorganizada, com temas dispersos pelas páginas sem orientação que dê clareza e consistência.

*** É de certa maneira estranho o fato de a revista ser distribuída gratuitamente para assinantes e ao mesmo tempo ser vendida. Se a relação de assinatura é apenas passar seus dados para receber a revista em casa e de graça, é de certo modo incoerente que ela tenha venda nas bancas.


VIVER BRASIL

**** Com a proposta de ser uma revista factual, a Viver Brasil parece atender bem à sua definição, a princípio. Ao se dedicar à leitura, porém, é fácil perceber que há matérias e abordagens destoantes.
Numa matéria de estética, por exemplo, é abordada a depilação artística de virilha. A matéria detalha o procedimento da depilação que se dedica a enfeitar a região pubiana com desenhos, iniciais e até mesmo pedras de strass. O texto não busca explorar o lado factual desse tipo de depilação, mas se dedica a relatar mesmo a experiência das depiladas, colhendo depoimentos e até mesmo oferecendo ilustrações dos diferentes tipos de desenho. A matéria também explora outras opções, como o adesivo e as pedras de strass.
“Embora (...) seja mais caro, o retorno é muito positivo. Vale a pena porque muda a rotina.”
F., 32 anos


A matéria de capa também demonstra falta de objetividade ao lidar com o tema, que era racismo na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A matéria, que contou com depoimento de dois alunos negros, aproveita a repercussão midiática gerada pelo trote racista da turma de Direito e se lança na discussão acerca da abertura do espaço da universidade, que deveria ser lugar de inclusão e questionamento acerca dos paradigmas sociais. Não questionamos os relatos dos estudantes, nem a presença do racismo na UFMG, mas a abordagem da matéria. Ao invés de mostrar a universidade como um espaço em que o preconceito também está presente, a matéria se valeu das experiências dos estudantes para pintar a universidade como um cenário de propagação da opressão social, sem defensores do fim dos preconceitos.

Com os exemplos acima, fazemos uma crítica a alguns pontos do projeto editorial da revista. Ela parece ter a pretensão de se mostrar como uma publicação séria e comprometida com o jornalismo credível e respeitável, ao que a linguagem apresentada corrobora. Mas ao passar os olhos pela Viver, constatamos matérias com assuntos destoantes e outras que dão margem a apenas um lado da notícia. O que afeta o entendimento da política editorial e o objetivo da revista.







terça-feira, 23 de abril de 2013

Produção de revistas - Encontro e Viver Brasil









Na segunda semana de abril entramos em contato com as revistas Viver Brasil e Encontro, com o objetivo de agendar uma visita às respectivas redações. Ao contrário do que esperávamos, ambas marcaram o encontro para a semana seguinte, alegando que estariam com mais tempo disponível, e que nas próximas semanas não poderiam nos conceder muita atenção, fato que nos fez antecipar a programação que havíamos planejado para o projeto.


Visita à revista Viver Brasil: fomos, no dia 17/04/2013, na revista Viver Brasil com escritório situado no shopping Serena Mall, na saída para Nova Lima. O local é de difícil acesso, assim como o escritório da revista Encontro, e só conseguimos chegar a tempo, porque fomos de carro.

Fomos recebidos pela Maria Eugenia, chefe de redação, que nos abordou sobre o que queríamos saber. Após explicar o que é o Projeto BI e qual a nossa intenção, ela nos apresentou a redação, uma sala grande, bem clean, com aproximadamente 10 pessoas em seus computadores. O escritório transmite uma ostentação incômoda com suas paredes brancas e paredes de corredor cheias de obras de arte. Apesar da beleza do lugar, ele parecia engessado.


Depois dessa primeira impressão, fomos levados na sala de edição gráfica, uma sala bem pequena onde os três profissionais que cuidam da parte gráfica ficam. Nesse momento, fomos informados como funciona a diagramação da revista, quais são os elementos gráficos principais e também tivemos acesso às diversas edições da revista, incluindo as especiais. A equipe de arte foi muito solícita e tirou todas as nossa dúvidas.


Por fim, Maria Eugenia nos levou a uma das salas de reunião e pudemos conversar sobre como a revista funciona, ou seja, como são as reuniões de pauta, a periodicidade delas, como é o desenvolvimento das matérias a partir da elaboração da pauta, entre outras questões


Visita à revista Encontro: fomos, no dia 16/04/203, na revista Encontro, situada (teoricamente) na rua Haiti, 176, 3ºandar, no bairro Sion. Após muita confusão relativa ao endereço, Neide Magalhães, uma das duas editoras-chefes, nos recebeu no horário combinado. De cara, ela perguntou sobre nosso curso, o período que cursávamos e o interese na revista (o que desejávamos saber e com quem queríamos conversar).


Após falarmos para Neide o que pretendíamos com nosso projeto, ela começou a apresentar a revista. Durante uns cinco minutos ela não nos deu muitas brechas para perguntas e disse que estava esperando uma sala de reuniões vagar para que pudéssemos conversar mais à vontade. Quando tivemos a disponibilidade de usar a sala, ficamos aproximadamente cinquenta minutos nela, fazendo perguntas e ouvindo o que a editora tinha a dizer. Logo depois, ficamos mais 15 minutos em conversa com Edmundo Serra, Editor de arte e principal responsável pelo atual projeto gráfico da revista. Edmundo nos disse como a revista pensa a sua identidade e quais elementos são elencados graficamente (cores, tipografia, infografia, etc).


As visitas a ambas revistas tiveram semelhanças. A dificuldade de acesso é comum às duas, uma vez que o escritório da Encontro localiza-se numa rua de números fora de ordem e o da Viver Brasil é em Nova Lima. Com relação ao contato com as revistas, não houve muita dificuldade, uma vez que fomos atendidos muito solicitamente pelo telefone nos dois casos.
No geral, a experiência das visitas foi proveitosa e esclarecedora. Foi interessante conhecer as redações e ver como todos os elementos de redação e arte se juntam para formar um veículo real, que nos é distribuído.

Para o próximo relatório, buscaremos desenvolver nossas percepções acerca do projeto editorial de ambas e tentar uma análise crítica comparativa.




Impressões

Nathália Alcântara: Ao chegar lá (Viver Brasil) senti aquela vergonha inicial, aquela falta de jeito. Eu e o grupo tivemos uma ótima conversa com a equipe de arte, vimos edições antigas, inclusive edições especiais como a Fashion (revista de moda), e conhecemos um pouco mais do processo criativo. Definitivamente foi a melhor parte da visita, descontraida. A sala da redação mesmo era bem mais “sem graça”. Pessoalmente achei o ritmo de produção muito mais tranquilo do que eu imaginava: os repórteres tem cerca de 15 dias para fazer sua matéria, e se ela cair durante o processo outra está na “gaveta”. Imaginei que teria mais interesse em trabalhar nesse tipo de empresa, mas talvez pelo perfil da revista (mais light, muito focada em Minas Gerais e com pouquíssimas hard News) meu interesse não foi muito grande.


Ana Luiza Pio: Minha primeira impressão da revista (Encontro) foi de que ela parece ser fechada e muito sensível com relação à sua história e conexão com o dono da Viver Brasil. A editora diz que a publicação se define bem quanto à linha editorial, mas as matérias abordadas abrangem tamanha diversidade de assuntos que é difícil reconhecer a forma com que foram agrupadas.

Já o escritório da Viver Brasil não me pareceu nem um pouco prático ou acomodante. Não tive a impressão de haver naquele espaço maleabilidade alguma, seja decorativa ou de escrita. De periodicidade quinzenal, confere menor prazo à redação, aí se diferenciando da Encontro. Em compensação, o volume de matérias é menor e parece ser mais bem definido, apesar da afirmação da Encontro de que sua linha editorial definidíssima a diferencia da concorrência.


Apesar da percepção do processo produtivo, tenho que dizer que nenhuma das revistas me pareceu uma oportunidade profissional atrativa. O estilo de jornalismo desenvolvido por elas é algo muito menos próximo da prática que imagino pra mim, pautada na produção de boas matérias de assuntos realmente relevantes. Ou talvez o que tenha me desinteressado seja o estilo “coluna social” que ambas as revistas desenvolvem


Pedro Lucchesi: Gostei da experiência de visitar a redação das revista e escutar como que quem faz a revista no dia a dia da redação pensa sobre seu produto e trabalho. Conhecer a sede física das redações, a meu ver foi também entender um pouco mais sobre as publicações. Quando a editora-chefe da Encontro diz que o diferencial da revista é ter um projeto editorial bem definido, fiquei confuso, afinal quando li a revista, a única coisa que entendi é que ela não é factual e que Minas Gerais e, especialmente Belo Horizonte, são a oitava maravilha do mundo.

A chefe de redação da Viver Brasil disse que sua revista se diferencia da Encontro, por ter um pouco mais de conteúdo factual, o que é permitido, entre outros fatores, por ser distribuída quinzenalmente. Essa foi uma questão que realmente diferencia as revistas, mas esse conteúdo factual da Viver Brasil, é pensado, a meu ver, principalmente para o que o público da revista quer ler, ao invés de escutar as diferentes vozes que permeiam um assunto.

Críticas a parte, fomos muito bem recebidos e não ficamos sem resposta para nossas perguntas.